terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ensaio do cotidiano:



"E sorriu.
'Mais olheiras . Olheiras de escrita, de taquicardia, arritimia. Olheiras sinceras, que mostrem a as entranhas mais embaraçadas da alma'.
 Demandava em elocubrações desconcertantes. Maria acreditava em alma, piamente, irremediavelmente, inconsequentemente. Tola Maria era, com seus cardarços azuis, aparelho nos dentes e as sardas. Sardinhas, pequeninas, pequeninas.
 Afougou-se nas promesas vazias de um outro alguém. E gritou:
  'É por isso que Ofélia e Ismália são iguais. As duas afogaram-se na confusão da cabeça delas. '
Transbordou. Fechou o "Senhora" em um gesto único, deixando para trás as dores e lembranças. O mundo é pouco para quem nada busca.
 Ora, mundo muda, mudas mundo.
Cético, crente na transversalidade do ser, interrompeu certos dedos compridos, imaculados pela vida.
'Será que nos afogamos em nós ?'

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Tive Sim;

"Tive, sim,
Outro grande amor antes do teu
Tive, sim.
O que ela sonhava eram os meus sonhos e assim
Iamos vivendo em paz

Nosso lar,
Em nosso lar sempre houve alegria
E eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou.
Tive, sim,
Mas comparar com seu amor seria o fim.
E vou calar
Pois não pretendo, amor, te magoar."



- Cartola. 


segunda-feira, 2 de junho de 2014

 Desilusão,
                  


                          Desilusão,







Danço eu,
                                        

                                                                    Dança você,










     Na dança da solidão.

domingo, 11 de maio de 2014

Em um nó de pingos de águas claras
   Esvai-se os cabelos loiros da menina
Chorava-se e ria-se em um envolvente paradoxo

    Fez-se e desfez de mim

Para dizer que não serviu.
Deu-se na ausência do amor no asfalto raso
De seu coração.
 E o despertar
        Foi aflição.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Falemos em saudades:

Soma-se fatos factuais.
Fatos factuais... Primordial redundância, indolente, indecente, inprudente. "In", negativismo dialético, pois sim...
Adorno praticava a dialética. Ah querido Adorno... Como nos tempos de criança, tolices irremediaveis.
Deixando-se a margem a ocasionalidade, sejamos francos: quereis eu escrever ?
O que dirá ser escrever? Estás brutalidades são sim, são não, ora sim, ora não...
Deixemos a margem, ora pois.
Falemos sério, sem indulgencias.
Falemos de saudades, enfim. Sem constrangimento, evite ocasionalidades.
Obviedades a parte, falemos de sentimentos, em quais se restrigem?
Magoa? Não. Tristeza? Não. Não. Não.
Saudades, falemos.
Para além do concreto, do material e factual, saudades internas.
Pode-se dizer assim? "Saudades internas"? Melhor apenas saudades, e o significado, deixemos em aberto, em questão, em reflexão.
Teremos que ser sinceros, como dizia Brás Cubas, nosso pequeno herói burguês, dispensemos todas essas fatalidades e sejamos francos.
Para que tantas iniquedades? Melhor assim.
Ora, referimo-nos a Adorno. Alemão, pois sim, pois não.
Para que tanta divagação se é claramente simples a situação: estamos com saudades.
Ora, ora, ora.
Falemos em saudades.